quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

denuncias Contra Dr.Roger Abdelmassih

16/01/2009 - 19:02 - Atualizado em 17/01/2009 - 19:16
O drama do assédio no consultório
Uma série de acusações contra um médico famoso ajuda a entender por que raramente esse tipo de caso chega aos tribunais
Solange Azevedo e Andres Vera

"Ele se inclinou sobre meu corpo. Então, me deu um beijo na boca"
INGRID (nome fictício), de 47 anos
Deitada na mesa ginecológica de uma clínica especializada em tratamentos de fertilização, as pernas abertas apoiadas nos suportes e o corpo nu coberto por um lençol, Ingrid, então com 38 anos, aguardava a injeção de óvulos que poderia enfim realizar seu sonho de ser mãe. "Eu estava muito tensa, pensando se aquilo daria certo", diz. Ela já passara por 14 consultas naquela clínica, uma das mais reputadas do país. Na sala estavam apenas ela e o médico responsável pela injeção. Foi nesse momento que, segundo ela, ocorreu o assédio. "Ele se inclinou sobre meu corpo como se fosse me dar um abraço. Eu estava de olhos abertos, não entendi. Então, ele me deu um beijo na boca”.

Em seguida, diz ela, os outros membros da equipe médica entraram na sala e tudo voltou a ser como se nada houvesse ocorrido. "Comecei a pensar que estava louca. Não tive reação. Estava em choque", diz Ingrid (nome fictício: ela falou a ÉPOCA sob a condição de anonimato). À medida que relata o episódio, Ingrid desvia o olhar e o volume de sua voz se enfraquece. "Fiquei pensando se eu tinha culpa por aquilo ter acontecido”. O marido de Ingrid, a quem ela só relatou o episódio depois do final do tratamento (que não deu certo), quis denunciar o médico. "Eu o convenci a não fazer nada porque tinha medo. Eu achava que era a única”.

Nesta semana, nove anos depois, a denúncia de Ingrid chegará ao Ministério Público de São Paulo. E não é a única. Pelo menos outras 30 mulheres já relataram a promotores e à polícia terem sido vítimas do mesmo médico. "Fiquei surpresa quando minha médica disse que já tinha ouvido aquilo de outras mulheres", diz Ingrid. O médico é Roger Abdelmassih, de 65 anos, um dos mais respeitados especialistas em fertilização humana do país. A investigação, por ora, não resultou em processo contra Abdelmassih, que enxerga nas acusações uma campanha contra ele. O caso, porém, suscitou a discussão sobre um tema que ainda é tabu entre pacientes e na classe médica: o assédio sexual nos consultórios.

Um dos responsáveis pela investigação, o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), diz que há relatos tão chocantes, ou mais, quanto o de Ingrid. Eles não caracterizam estupro, mas o que a lei chama de "atentado violento ao pudor". "Os fatos apurados são gravíssimos. A investigação está sendo feita há um ano e é extremamente segura", diz Carneiro. Ele e outros dois promotores, Roberto Porto e Luiz Henrique Dal Poz, trocam informações regularmente sobre o caso com a delegada Celi Paulino Carlota, da 1a Delegacia de Defesa da Mulher, de São Paulo.

Em resposta às perguntas enviadas por ÉPOCA, Roger Abdelmassih enviou uma nota assinada por seu advogado, Adriano Salles Vanni. "Nada justifica a execração pública promovida pelos órgãos de imprensa que vem sendo impulsionada pelos promotores de Justiça, sem dar ao médico os elementos mínimos e essenciais para sua defesa", diz um trecho da nota. Ele também afirma não poder se defender das acusações sem conhecer a identidade das acusadoras. Abdelmassih também indicou a ÉPOCA alguns de seus clientes ilustres, que o descrevem como um médico atencioso. "Confio na idoneidade do doutor Roger e até o indiquei para amigas. Ele tem um jeito muito afetivo, parece um paizão. Mas nunca ultrapassou nenhum limite durante meu tratamento", afirma a atriz Luiza Tomé, de 46 anos, que teve gêmeos depois de um tratamento de fertilidade em 2003. Luiza diz que nunca esteve sozinha com o médico durante as consultas.

4 comentários:

  1. Tereza,me diga como posso entrar em contato com você,irei depor e você poderá ir comigo e os promotores,poderemos marcar se quiser.

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  2. Sua mensagem sera sigilosa, e não será divulgada,não precisa ter medo.Um abraço,e parabéns por sua coragem!

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  3. Cristina,
    Estou pensando em depor, mas não moro em São Paulo. Estou com muito medo de me expor, mas não tenho o direito de deixar vocês sozinhas, afinal só se sabe a marca que isso deixa na nossa alma quem já passou por isso. Comigo tudo aconteceu em 2007 e eu fiquei com muito medo que ninguém acreditasse em mim. Agora com o apoio de vocês pretendo contar tudo ao meu marido e depor. Como posso fazer contato sigiloso com você?

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  4. A T E N C A O! U R G E N T E!

    Queridas amigas!Quem quizer se juntar a nós na denuncia contra o Dr Roger,por favor,deixe seu e-mail ou tel de contato em meu bloque,para que possamos nos comunicar.Não é preciso ter mêdo de nada, somente eu terei acesso ás suas mensagens, e cabe só a mim,divulgar ou não,com sua autorização.Em principio a mensagem de vocês ,nao será divulgada no blogue.Hoje a fotógrafa Monika, será entrevistada no Programa de Domingo da Rede Record pelo Cabrini.Vamos apoia-la,pois somente unidas conseguiremos tirar este nó da gargante e livrar possíveis novas pacientes deste doente!

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